RELATO PEDAL DA COSTELA – QUINTA FEIRA 03.07

Publicado: 6 de julho de 2014 por cmarquetti em Duas Rodas

REALTO PEDFAL DA COSTELA.

03.07.2014.

Quando a tarde vestiu-se de negra abrindo seu manto roubando todos os suspiros da boca da noite, a escuridão desceu sobre a terra. O trafego inclemente em direção ao Bairro Rio Tavares se abatia sobre os biker lovers nas cinzas das horas.

Reunidos no Posto Macedo, cada um que chegava, roubava o silencio local e mergulhando num sentimento de prazer único de abraços e sorrisos, libertavam-se de todas as amarras do cotidiano para mais uma noite de pedalada.Éramos 40 sentindo-nos livres, deixando-nos domar pela bike que sempre exala nas noites de quinta um cheiro da sua paixão; invadindo-nos dormentes os poros, subindo pelo coração que nos apetece pedalar, tornando-nos protagonistas desse novo jeito de viver.

Depois que a noite foi sentida em todos os poros das nossas peles, seguimos a voz do vento e a voz do mar e o sorriso da lua crescente a nos mostrar o nosso caminho. Cruzamos o Trevo do Erasmo na calada da noite adentro e deixamos rastros de açoites no Morro das Pedras, onde o mar parecia um grande trovão. No grande retão para alcançar a Armação, parecia cair o pano que cobre de luzes e sombras pelos nossos faróis e os sons produzidos no nosso pedal se misturavam aos gemidos de prazer pela grande velocidade.

Purificamos nossos corpos aspirando a Dama da noite que exalava seu perfume durante o nosso trajeto pela Costa de Dentro acima, aspergido e trazido pelo vento fiel mensageiro daquela comunidade que parecia dormir embalando seus sonos e sonhos. Os nossos gemidos para manter e alcançar velocidades nos manteve quentes e suados, enquanto o fantasma da fome torturava as almas famintas na sombra da coreografia do retorno na praia dos Açores, nos mares do sul do Pântano do Sul. A imagem da costela assada presente nesta sombra noturna ciclística nos acompanhava passo a passo pedalados, fazendo com que alguns famintos partissem diante das estrelas, como crentes em oração à espera de um milagre naquela Costelaria que nos aguardavam; e outros seguiram o seu trajeto, bendizendo as andas cantantes do Costão do Arantes. No retorno do caminho, lentos pelo vento, todos se foram, menos a imagem da costela assada presente nesta sombra faminta que nos acompanhou até esse momento aqui registrado e fotografado.

bike abraços NICO

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comentários
  1. Titio disse:

    Só quem comeu queijo Emental em Emmentala poderia fazer do acontecido (pedal da costela) uma verdadeira obra da literatura mané! Parabéns aos Bikelovers e ao querido Nico pelo relato! Beijos em todos! Titio.

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