RELATO PEDAL DIA 23/01 – TRILHA DO PINHEIRAL

Publicado: 29 de janeiro de 2014 por cmarquetti em Duas Rodas

RELATO PEDAL DE QUINTA DIA 23/01 – TRILHA DO PINHEIRAL – LESTE DA ILHA

E A LUA SUMIU……

Enquanto a tarde se espreguiçava no céu, o sol poente ainda cuspia fogo, abrasando os homens na terra com grandes calores nesta quinta feira.O tempo seguia firme com predomínio de céu claro, ar muito seco e temperaturas altas, atingiu 33 graus, devido á presença de massa de ar seco e quente. Enquanto a hora não era total para a largada do pedal que partia do LIC – Lagoa com destino a Trilha do Pinheiral, na Avenida Ademar Gonzaga, a Casa Rosa foi ponto de referencia para o encontro de algumas criaturas ciclísticas da noite. NICO, CLAUDINHA, ANDREAS, NILSON, FELIPE, PEDRO, verticalizamos nossa subida pelo morro da lagoa sentindo a sensação febril de insolação, deixando um rastro de terra queimada castigada pelo sol debaixo dos nossos pés. Alcançamos o mirante quando o sol caia baixo no céu, punindo severamente aquela noite tórrida de verão. Libertando-se aos poucos daquela sensação febril, o vento da descida se abre em nossa frente refrescando e secando todo suor e umidade que havia em nós.

Quando a hora se fez total, 20:00horas naquele Lugar de Integração Ciclística – LIC.; chegamos la para nos juntamos aos demais biker lovers noturnos. SOUZA, PERI, MARCIO, VANIA, ARI, ALINE, VINICIUS, PRISCILA, EDINHO, CAU, MOACIR, FELIPE, ANINHA e outros cujo nome não me lembro, 38 cavaleiros ciclísticos da noite, atores dessa noite mágica de quinta feira para o Leste da ilha, noTRAJETO: LIC > AV RENDEIRAS > MORRO DA PRAIA MOLE > RIO VERMELHO > PINHEIRAL (TRILHA) > BARRA DA LAGOA (MERGULHO NA PRAIA) > RETORNO > LIC.

Depois que o Capitão Souza, fez as suas orientações e recomendações para o sucesso da noite, zarpamos confrontando com a irregularidade do terreno. A nossa passagem pelo centrinho da Lagoa ficava cada vez mais lenta, cuidadosa, espontaneamente pensada, para podermos observar turistas transeuntes, carros e motos que dividiam tempo e espaço com o nosso corpanzil, espreitando nossa passagem.

Percorremos a Avenida Das rendeiras desnuda em paralelepípedos embriagados, completamente abandonados, jazendo em lamentos pelo abandono dos anos, prometendo acesso asfaltico no Morro da Mole, para facilitar nossa chegada ao Ponto de Vista e com promessa de Lua cheia para iluminar nossos caminhos na Cidade da Barra e na Trilha do Pinheiral. O corpanzil num ritmo calmo e faceiro, alcançamos o Ponto de vista até serem empurrados Morro da Barra abaixo, atingido velocidade total para alcançar Rio Vermelho.

Dividindo espaço e tempo na beira do asfalto, tecendo uma ordem enfileirada, numa diagonal difusa, espreitamos a noite absoluta no Rio Vermelho, porta da Trilha do Pinheiral as margens da estrada no Horto florestal.

Árvores, pedras; gritos, luzes e vozes, areia, cipós, risadas eletrizantes; gravetos, murmúrios alegres e picantes, ecoavam, bailavam e se digladiavam entre luzes e sombras, zig-zaguiando feitos redemoinhos em nossos pedais; quebrando o silencio total dentro da escuridão.

Já na distancia que nos separava do Edinho, Aninha, Felipe e Marcio (Milo) que não entraram nesta trilha indomada; sob as garras cruéis das raízes, dos duros golpes de areia, castigando as rodas das bikes; que continuavam erguidas, não importando quão era estreito e descalça a trilha; repleta de arvores tombada, como se quisessem em forma de castigo impedir nossa passagem, nos arrastando por aquele solo infértil daquela terra maltratada, dentro da noite negra que nos rodeava em sombras. Desviando por outros caminhos, às vezes descendo de suas bikes e pulando os obstáculos, os bike lovers noturnos, cavaleiros ciclísticos da noite, como senhores de seus destinos, capitães de suas almas, iam cruzando aquele cenário local. Num impulso selvagem, usavam suas bikes como escudo para ultrapassarem essas barreiras de densas arvore; tombadas e contorcidas a nossa frente em lamentos impotentes, como se fossem esqueletos impudicos no cio, peregrinas da noite, implorando por socorro entre a mata rasteira como um campo minado.

Ainda sob os golpes do acaso, os bike-lovers equilibravam seus corpos feitos equilibristas ilusionistassobre suas bikes voadoras com a cabeça abaixada para fugir das garras dos cipós pendurados a nossa frente.

Um dos cavaleiros ciclísticos,Germano Girão, apesar de tentar proteger os órgãos vitais, teve seus pés clipados; girou, girou, rodopiou; sucumbiu diante das suas amarras, tombando junto com sua TREK azulão.

Cruzamos aquele cenário local aonde a noite ia se vestindo cada vez mais de negra, ocupando todos os pequenos e profundos cantos, fazendo a escuridão dominar de forma onipresente o campo e guerrear contra alguns fracos, outros fortes e vibrantes faróis das bikes, até reunimos todo o corpanzil la fora da trilha, enquanto a noite nos encobria negra como um poço de pólo a pólo.

De posse de suas Merida, Tresk,Specialized, caloi, Konna, Orbea, Cube, Scott, Soul, retomamos nossas amarras clipadas, areiando a coreografia do caminho descalço para alcançar o ancoradouro na Costa da Barra da Lagoa. A trajetória escava a risco, nos levando por aquela estrada de solo batido pelo tempo seco, empoeirando nossa chegada as margens daquele local que parecia dormir.

Do outro lado da margem da lagoa, quase imóvel, via-se a silhueta do vilarejo, vindo das águas; emergindo de seu banho noturno renovador.

Quando o silencio imóvel da pausa prendeu todos os pequenos cantos da boca grande da noite, os cavaleiros ciclísticos da noite desclipados e desmontados, depositaram suas bikes; seus projetos cálidos; suas almas brancas, seus resíduos líquidos contaminados de uréia. Depois que apagamos os faróis das bikes, tivemos a rápida sensação e solidão momentânea de que estávamos sozinhos no mundo, enquanto aquela comunidade e todo o mundo la fora parecia dormir.

Fiscalizamos o céu noturno e choroso pela ausência da lua cheia; ausentes as constelações, ainda que fosse minguada pelas nuvens e pelo manto negro, o vento libertava as poucas estrelas que teimavam em brilhar indiferentes no céu. Quando a brisa da noite veio de encontro trazendo aroma de algas marinhas, como por ciúmes, a ventania bateu forte na forma de redemoinho sensualizado, que exalava o cheiro de paixão, invejosa das nossas pedaladas noturnas, invadindo nossos poros na magia da noite quente nos arrastando daquele cenário local.

O vento rodopiava em nossos pedais, inibindo nossa coragem, forçando-nos a seu favor a abandonar aquele porto cais. Num jogo de claro-escuro de luzes flamejantes, o corpanzil vai se distanciando cuspindo a escuridão, engolindo a própria luz, horizontalizando o caminho de volta na beira do asfalto até serem iluminados pela Cidade da Barra.

Adentrando na coreografia do caminho, turistas se agigantam se encolhem diante dos nossos olhos, uns assustados, outros curiosos, com risadas eletrizantes e murmúrios inocentes, cruzavam a nossa frente, até apinharem aquele lugar gradativamente de sensualidade; corpos que deixavam o mar nos seus maiores e menores trajes. A boca da grande noite quente encheu-se de risos, tecendo línguas e falas diversas, exalando aromas de especiarias.Enquanto o agito acompanhava aquele lugar com umidade e aroma de água marinha, perfumes de flores distantes e ervas natural enchiam o ar, e a musica, tocada naquele espaço, abrilhantando aquele projeto de verão, era como se anunciasse nossa chegada na Barra da Lagoa.

Deixamos cair novamente nossas amarras clipadas enclausurando nossas bikes, debruçadas uma a uma, que acenavam imóveis, anônimas nítidas e calmas, obstruindo toda a passagem para sua própria segurança, naquele porto bar.

Uns cavaleiros ciclísticos da noite permaneceram apostos, vigilantes das suas assexuadas bikes parceiras, ávidas para transportar seus homens e mulheres ciclistas sob suas rodas, prontas para zarpar; outros bikelovers, ciclistas noturnos, roubaram os suspiros na boca da noite quente, desnudando alguns pedaços dos seus corpos que selvagem de tanto calor pediam a água do mar que lhes possuíssem, sendo embalados pelas ondas cantantes dos mares distantes. Outros sufocamos na garganta a sede e fome total, matando a sede nos lábios com cerveja e água gelada protagonistas daquela noite quente que roubavam de nossas bocas um sussurro de prazer, e brindamos sorridentes, felizes nos olhos; a vida, o amor e a felicidade sob duas rodas ou fora dela, pois algo de novo sempre acontece em cada saída para pedalar. Reunidos e novamente agrupados pelo click fotografado nas lentes do MOACIR registramos a noite mágica dos atores ciclísticos, que foi ficando pequena.

Deixamos para trás o porto Bar, verticalizando nosso caminho de retorno feito maquinas a vapor, subindo passo a passo pedalado o Morro da Barra, que ficava cada vez mais lenta e árdua a nossa subida pelo aclive do terreno, naquela noite estafante e suarenta, desafiando alguns novatos ciclistas, debutantes daquela elevação nunca antes pedalada. Depois de confrontado o desafio, superando as metas; reunido o corpanzil no Ponto de Vista, a Cidade da Barra la em baixo foi deixada para trás quase imóvel, dentro da boca grande da noite e invejosa do desempenho dos desafiantes; como se quisesse roubar seus profundos suspiros, mas desejosa do nosso retorno. Cruzamos em disparada a Praia Mole que dormia na solidão do silêncio, mas na companhia de suas águas. A lagoa estava calma, acenou envergonhada, sufocando seus odores de algas contaminadas, empurrando-nos ligeirinho para o Centrinho da Lagoa. Reunido todo o corpanzil entre abraços e despedidas, dizemos à noite no Posto da Lagoa que fomos com a certeza de voltarmos num próximo pedal, que exerce sobre nós um grande fascínio, onde valores experimentais de carinho e amizade, respeito e cumplicidade podem ser sempre obtidos sobre duas rodas ou fora dela, aonde ir de Bike estar de Bike tudo se modifica, tudo se transforma nesse novo jeito de se cuidar.

BIKE ABRAÇOS

NICO

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