Circuito das Araucárias com o Polho e Zé Carlos

Publicado: 18 de novembro de 2013 por cmarquetti em Duas Rodas

Era o dia 15, 5 horas e o pedal através do Circuito das Araucárias (www.circuitodasaraucarias.com.br), cujas belezas e desafios me fascinaram à primeira vista,

tinha sido marcado para as 9 horas. O ponto zero está em São Bento do Sul. Éramos o Polho, o José Carlos e eu, uma equipe.

Seguiríamos a rota, conforme a indicação do roteiro para fazer em dois dias quatro trechos, (o último incompleto), de um total de oito.

Estes são também os trechos mais difíceis, uma experiência nova para o Polho e o Zé Carlos em sua tandem, bike de dois lugares, pois o Zé Carlos, para quem não o conhece é deficiente visual e vem se mostrando um ciclista formidável, louco por desafios.
Tudo havia sido cuidadosamente organizado e estávamos assim iniciando o pedal para logo confirmar que seria um grande dia, um dia inesquecível.
A cada pedalada mais ânimo, mais paisagens deslumbrantes, mais brincadeiras e risadas. Desde logo muitos se manifestavam admirados por ver
dois ciclistas em uma única bicicleta. Quando percebiam tratar-se de um cego eu vi em muitos o coração encher-se de admiração. Provavelmentetambém provocou a reavaliação de alguns aspectos de suas próprias vidas. Heróis para muitos, e assim nos sentindo por desfrutar destas maravilhas, fomos
encontrando a sinalização perfeita, as estradas muito boas, o respeito dos motoristas e a ajuda de todos a quem perguntávamos algum detalhe.

São Bento do Sul tem um povo preocupado com suas paisagens. Os jardins das casas e praças são muito bem cuidados. Vi muitas espécies de árvores ornamentais de clima frio: ciprestes, o Tannenbaum (o pinheiro de natal alemão), plátanos e as tílias. Também as hortências estavam iniciando a sua floração, e havia muitas. Tudo estava exuberante, o que faz nossa primavera a melhor estação para se pedalar. Sei que o Zé Carlos capturava todos esses aromas e se divertia com estes milagres da natureza. Não poderia estar em um lugar melhor e eu em melhor companhia para a nossa aventura sobre duas rodas.
Nossas bicicletas também, jamais se imaginaram em lugares mais lindos. O terreno por lá nos faz conhecer muitos tipos de rochas diferentes.

Imagino que ciclistas sejam bons observadores de pedras quando obstáculos. Passamos por centenas de córregos. Às vezes cruzavam cristalinos sobre aestrada e passar por isso em velocidade, sem avisar o Zé, era uma diversão à parte. Sacanear um cego: fazíamos isso.

Passamos sobre os trilhos da estrada de ferro várias vezes. Vimos um comboio imenso de vagões. Ouvimos o som se sua sirene propagando-se sobre
e entre a vastidão daquelas serras. Tudo muito impressionante. E eu ficava imaginando o desafio que foi implantar os seus trilhos e também me

perguntei por que não temos mais trens e trilhos cortando nossa terra. Descrevia tudo o que podia para o Zé. Soubemos que Corupá já se chamou

Hansa Humboldt e seu fundador foi um tal de Otto Hillbrecht, cujo busto dourado encontra-se em frente à prefeitura. A homenagem a Humboldt tentou

ser apagada, um educador. Acho que os colonizadores tinham grande apreço ao cientista. Houve em Hansa Humboldt desde cedo grande interesse pelas

ciências naturais e a botânica, em especial das orquídeas, e a entomologia (estudo dos insetos) teve sempre grande importância. Seu desenvolvimento econômico no início de século passado era muito expressivo.

Passamos por tantas montanhas, vimos tantos picos majestosos, tantos córregos e rios mas também havia muitos bananais. Corupá é a capital da banana.
Comprei bananas passas por uma pechincha. Chegamos até a pousada e, depois de um banho, procuramos um restaurante. Aqui vai uma dica. Não havia restaurantes abertos por lá à noite. Procuramos nos informar e um senhor, o farmacêutico local, nos sugeriu uma pizzaria que ficava bem distante. Procuramos o ponto de taxis e não havia taxis. Mas ficamos impressionados quando perguntando a um senhor em frente a sua casa sobre onde estavam os taxis, este gentilmente se ofereceu para nos levar à pizzaria que ficava fora da cidade. Seu nome era Voltolini. Aqui nossa grata lembrança por sua atitude.
O pedal de volta a São Bento do Sul na manhã de sábado foi também cheia de gratas surpresas. Percorremos uma bela paisagem bastante plana ao longo do Rio Pedra de Amolar e víamos o Morro da Igreja e a cadeia de montanhas que nos esperavam. Nenhuma das nossas previsões estava certa, o grau de dificuldade foi muito maior que o esperado.
Muitas vezes nosso herói Zé Carlos perguntava pro Polho: “ainda tem muitas subidas?” e a resposta vinha sempre: não! …. Não sei…
Vencidas todas as subidas, devidamente recompostos, agora estão aí, a pedido, algumas memórias.
Temos mais heróis que cabem ser lembrados além do Zé pelo vigor de sua força de vontade, do Polho pelo companheirismo. Vale lembrar que o Ricardo de Carvalho, o Cau, também é o meu herói por ter
criado o grupo Novos Horizontes, e vem dedicando a ele o que tem de melhor.

Muito grato,
Nilson Wagner

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s