Uma Aventura de Seis Medonhos pelas Terras de Napoleão

Publicado: 18 de outubro de 2013 por cmarquetti em Duas Rodas

Uma Aventura de Seis Medonhos pelas Terras de Napoleão

Por Priscila da Silva Schroeder Fernandez

Depois de passar por uma experiência inesquecível, que foi a peregrinação em bicicleta pelo Caminho de Santiago de Compostela, em 2011, seis” medonhos” do Duas Rodas MTB Floripa fizeram uma promessa; vamos fazer uma nova cicloviagem em 2013.

A promessa se transformou em planos e os planos em realidade. O destino escolhido foi a França, iríamos fazer a Rota de Napoleão. A famosa rota francesa que Napoleão Bonaparte trilhou com seu exército para a retomada do poder em 1815. Originalmente a rota inicia em Cannes ( golfo de San Juan ) e termina em Grenoble, mas decidimos aumentar o nosso percurso, saindo de Chamonix, cruzando os Alpes e terminando no litoral.

Da formação inicial Luciano Covinha, pediu sua baixa e Adriano Polho veio integrar o grupo e mostrou ser um parceiro de viagem incrível, um integrante a altura da nossa perda inicial. A viagem começou muito antes com os preparativos, escolha do roteiro, melhor data para o passeio, compra das passagens, escolha dos hotéis, preparação dos equipamentos, etc.

Assim, em 21 de agosto deste ano, Nico, Polho, Souza, Gabi, Claudinha e Priscila embarcaram rumo a Chamonix, o ponto de partida da nossa cicloviagem.

Chegamos a Chamonix no dia 22, encontramos uma cidade linda aos pés do Mont Blanc, totalmente turística, com várias opções de esportes de aventura. Tínhamos um dia “livre” ( sem pedal ), decidimos fazer um tour pela cidade, subimos pelo teleférico na Aiguile du Midi um mirante a 3842 metros de altitude, onde e possível apreciar toda a imponência do pico mais alto da Europa Ocidental. Fizemos uma trilha de quase 3 horas para chegar a Mer de Glace, um glaciar imperdível!!!! Andamos de trem e passeamos pela cidade para sentir o clima dos Alpes.

O grupo, Polho, Gab, Dinha, Nico, Pri e Souza( da esquerda para a direita), com o Mont Blanc ao fundo.

Preparado para iniciar a trilha rumo a Mer de Glace

Estávamos ansiosos por nosso primeiro dia de pedal, e ele enfim chegou!!! Nosso destino: Flumet. Distante cerca de 55 km de Chamonix, teoricamente seria moleza. Teoricamente… Partimos quase meio dia, após uma última volta pela cidade, com um sanduíche para o almoço e muita vontade de começar nosso roteiro. A previsão era de chuva e ela se confirmou, com 1 hora de pedal, quando paramos para comer nosso lanche, o céu desabou sobre nossas cabeças. Chovia a cântaros, por sorte todos estavam muito bem equipados. A chuva nos acompanhou praticamente por todo o percurso.

Foto oficial do inicio da cicloviagem, no centro de Chamonix

Nossa rota foi traçada por um GPS que nos indicava rotas alternativas a seguir, lugares sem rodovia movimentadas e por vezes trilhas. Lugares lindos, mas também sem qualquer estrutura para reabastecimento de alimento ou bebida. Os 55 km que a princípio seriam moleza, sem água, comida, debaixo de chuva e em um terreno acidentado, morro acima, se transformaram em um desafio para o corpo e para a mente. Para mim foi um pouco pior, pedalei durante os três primeiros dias com a roda traseira travada. Esse primeiro dia para mim foi muito mais que um desafio, foi uma prova da minha paixão pela Bike.

Por vezes, o bom e velho mapa se fazia necessário

Mas, o “caminho dá o que você precisa” e quando nós mais precisávamos, encontramos um lugar para comer, beber e descansar.

Esse primeiro dia nos deu um parâmetro do que seria nosso roteiro. Atravessar os Alpes seria um pouco mais desafiador do que esperávamos. Realmente, nos deparamos com longas subidas, ora íngremes, ora longas, ora ambas. Poucos lugares para comer e beber, por isso nossos alforges eram abarrotados de comida e nossas refeições eram absurdamente reforçadas. Aprendemos a lidar com as informações do GPS e nos preparávamos todos os dias para pedalar durante todo o dia.

Em Grenoble, encontramos Pierre, um Frances de 75 anos que pedalou quase 25 km somente para nos indicar a saída da cidade e o rumo até a próxima cidade

Desta forma passamos por Flumet, Annecy a Veneza Francesa, Chamberry. Ao chegar em Grenoble, fim da Rota de Napoleão,mas o início para nós, pensamos que a questão da dificuldade de localização do rumo a seguir estaria superada, mas não foi o que aconteceu. A rota, embora famosa, é mal sinalizada. Basicamente a rota e uma rodovia nacional, muito movimentada em sua maior parte. Com a ajuda do GPS, por vezes conseguimos encontrar paralelas ou algumas estradas distritais para fugir do trânsito intenso.

Cenário inesquecível

Annecy e os lindo canais que atravessam a cidade

Saímos do Brasil com todas as hospedagens reservadas, o que facilitava muito, pois chegávamos na cidade e sabíamos onde íamos ficar. Saindo de Grenoble, nossas cidades de estada foram Motte D’ Avillan, uma cidade minúscula, onde o único lugar para comer era um trailler que fazia uma pizza maravilhosa, e que para mim, após passar 6 horas pedalando morro acima, foi a melhor pizza do mundo!!!!!!! Gap, Sisteron, Dignes Les Bains e Castellane onde novamente tivemos um dia sem pedal e pudemos fazer um rafting pelo Verdun.

Em Gap, em um dos poucos monumentos que fazia alusão a Rota de Napoleão

Gabi, Pri e Claudinha em Sisteron

O grupo na magnífica Fortaleza de Sisteron

Após uma longa subida, antes de chegar a Castelane, é hora de festejar!!! Nos merecemos!!!

Igreja na Provance

Gabi, Pri e Claudinha, sob o sol dos Alpes Maritimos, quase chegando a Grasse

Finalmente, após 12 dias da nossa partida (dez dias de pedal, cerca de 700km percorridos), chegamos a Cannes, uma das principais cidades da Riviera Francesa.

Grupo em Paris, as margens do Senna, prontos para retornar ao Brasil
O grupo não podia ser melhor, cada um com suas habilidades naturais ocupava e desempenhava uma função no grupo. Nico, gastronomia e comunicação, Polho, mecânica e navegação. Souza, mecânica e suprimentos. Gabi, registro e navegação. Claudinha, gastronomia e registro, Priscila comunicação e contabilidade. A experiência foi maravilhosa, o cenário magnífico, campos, desfiladeiros, mata cerrada, casinhas em estilo provençal, tudo tão diferente e tão fascinante…… Uma viagem espetacular, mais uma experiência vivida que ficará em nossas almas e corações. Termino esse relato com uma frase que nos acompanhou em cada refeição, em cada conversa, em cada momento bom ou difícil que vivemos: OBRIGADA SENHOR!

Um grande abraço a todos e principalmente a meus amigos queridos, que tanto amo e que me brindaram com sua companhia nesta incrível aventura.

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