Relato de um pedal

Publicado: 26 de maio de 2013 por cmarquetti em Duas Rodas

O alarme que eu havia ajustado para as 4:00 hs foi precedido pelo telefonema do Jailson. Era hora de se preparar pois nossa aventura precisava de mais tempo que um dia normal.
Minha espectativa era grande. Pulei da cama feliz por que esta hora havia chegado. Seria um dia especial para um grupo de amigos despojados, loucos para entrar em açao sobre suas bicicletas de montanha.
100 km rolando as bikes entre São Bonifácio, Antiápolis, Santa Rosa de Lima e retornando a São Bonifácio, idealizado pelo Jailson o rei do mountain bike local..
Destaque era, porém, a travessia até Antiápolis através dos campos de altitude, vazio demográfico, região de muitas nascentes,
florestada com araucárias remanescentes, algumas pastagens nativas, imensa como pudemos confirmar e inesplorada por mountain bikers ainda que tão perto de nós. Refúgio de Pés-Grandes, talvez.

Pouco depois das 5:00 horas nos reunimos ao grupo e seguimos para São Bonifácio. Pensei no estado da bike, na minha condição física, nos colegas qeu não conhecia ainda, no frio, no calor.

O sol ía nascendo por entre as montanhas de Águas Mornas. O Polho que me acompanhava, também observava tudo com admiração.
Fica fácil entender o que o sol nos traz: luz, calor, plantas, animais, energia. E nós queremos essa energia para liberar nossas emoções sobre as rodas das nossas bicicletas.

Queremos nos manter assim.

O ponto de partida era a casa de campo do Jailson. Quando lá chegam todos se admiram e sonham com um lugar assim. Mas só o Mori- Mori têm este privilégio.

Logo vi que nada faltava, principalmente as rizadas, o que faz as aventuras sobre duas rodas ainda mais inesquecíveis e que nosso amigo Polho tão bem sabe despertar nas nossas mentes compenetradas.
Equipados e animados deixamos o ponto zero às 7:00 hs em ponto.

Rodas em movimento, deixamos Rio Bloemer cortando o ar gelado, só os nossos sons, aqueles gritos que o Polho não podia conter e que nos faziam rir como garotos.
Logo vimos o Rio Capivari, límpido, pequeno, recebendo as águas do Rio Sell, Rio Moll, Rio Bloemer, Rio Buss, Rio Broecker e tantos outros que se juntam a ele.
O plano era subir o Rio Buss, início da travessia até Anitápolis, e foi o que fizemos. Os pontos mais altos à nossa frente estavam a mais de 900 metros de altitude, então tínhamos que

transferir alguma energia para o pneus rolarem e nos levar morro acima. E as maravilhosas bikes fizeram isso muito bem.
Subindo às vezes olhávamos para trás e para os lados e o vale era encantador. Montanhas monumentais e o o Rio Buss, um córrego, pequeno mas cristalino, cercado de pastagens exuberantes que as vacas amam.
Mas quando chegávamos ao topo, um senhor, dizendo ser o dono daquelas terras altas, disse-nos: “AQUI VOCÊS NÀO PASSAM!”
Sem alternativa, voltamos descendo aquele vale com a frustração de quem foi expulso do paraíso.
Era hora de decidir. E decidimos não abandonar a idéia da travessia até Anitápolis e a opção foi o Rio Broecker.
Desconhecida, a trilha aguçou nossa vontade. Faríamos qualquer coisa para chegar ao seu topo. Assim percorremos a parte baixa do Rio Brocker, lugar agradável, com várias casas em estilo enxaimel, uma das marcas dos

colonizadores alemães westfalianos.
Aí subimos, subimos, subimos e finalmente subimos mais alto ainda. Quase 1000 metros de altitude e estávamos nos campos, estes campos tão próximos e tão desconhecidos. Por vezes, tinha sido difícil manter o pneu dianteiro no chão, tal a inclinação, muitas pedras soltas, muito barro, o segredo era a alegria e a força.

O Polho montado em sua All Mountain puro-sangue fazia bonito e nos inspirava. Também o Marcos Gabriel, sempre à frente. Caramba! Quanta energia!!! O Jailson então, nem se fala. Quando me lembro dele no desfibrilador fico orgulhoso de tê-lo ao meu lado. Mas eu disse ao médico: este cara ainda vai pedalar muito nesta terra.

Sobrava tempo também para esbravejar o Raulino Haverroth o cara que nos fez descer a montanha, e que nos disse: “- pedalem em outro lugar, todo lugar é igual…”
Mas depois de tanto esforço, no topo, sentindo-me como um bárbaro que acabara de trucidar 3 legiões romanas desfrutei com meu grupo de guerreiros de um gostoso Früstück (lanche matinal).
Estávamos no topo.

O pedal continuou assim, cheio de coisas inenarráveis, que tentarei passar mais tarde.

Grande abraço!

Nilson Wagner.

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